Quem é pai ou mãe sabe. Quando vêm os filhos, a rotina da família muda, muitos planos precisam ser revistos, assim como o lugar ideal para morar. E é pensando nas crianças que muitos casais vão atrás dos condomínios fechados, horizontais ou verticais. Atraídos pela sensação de segurança e pelas opções de entretenimento, que vão dos tradicionais parquinhos aos cinemas e quadras poliesportivas, a procura por esses verdadeiros minimundos – onde o que não faltam são atrações – só aumenta.
É o caso do empresário Marco Mendia e de sua esposa, a administradora Graziela Poli Mendia, grávida de seis meses. O anúncio da vinda de Melina ditou novos rumos para o casal, que se mudou para um condomínio horizontal na região do Seminário. “Pensamos na segurança, nas áreas ao ar livre, na relação mais próxima com os vizinhos, tudo muito em função da nossa filha”, ressalta Graziela.
Na família do engenheiro mecânico Márcio Falci Júnior não foi diferente. Ele passou a maior parte de sua vida num amplo condomínio em São Paulo e, quando se mudou para Curitiba, não deu outra. “Fiz questão de morar com meus filhos e minha esposa num lugar que fosse central e oferecesse, além da segurança, divertimento para as crianças”, afirma.
Os filhos Adrian, 5 anos, e Lorena, 7, praticam natação na piscina do condomínio e brincam com a irmã Yasmin, 2, e com várias outras crianças, no parquinho do complexo. “Até quando vamos à praia todos sentem saudade de casa, pois a maioria dos amigos mora no condomínio”, conta a engenheira mecânica e mãe das crianças, Flávia Gobara Falci.
O coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, explica que famílias com filhos mais novos são o maior alvo desses empreendimentos. “Nos condomínios, as crianças podem interagir livremente com outras, estudar nas creches e escolas e praticar esportes.”
Bons exemplos são as meninas Fernanda Nascimento, de 2 anos e 7 meses, e Rafaela Nascimento, de 1 ano e 5 meses, que moram num condomínio vertical na região do Campo Comprido desde a barriga da mãe, a economista Alessandra Nascimento. “Sou fã de apartamentos e, onde moramos, há uma área completa de lazer, ideal para as meninas. Tem até casa da árvore”, diz Alessandra, que veio de Cuiabá.
Para o pai das meninas, o empresário Paulo Nascimento, apesar das vantagens – como a boa urbanização do bairro e a infraestrutura do prédio – há alguns inconvenientes. “Em virtude da idade e por vivermos em uma região fria na maior parte do ano, as crianças são as maiores prejudicadas. Elas ficam muito tempo fechadas no espaço do condomínio e acabam não indo a outros lugares”, diz.
Geração teen
Nos condomínios fechados, os adolescentes também têm vez. Depois de morar sete anos em um condomínio de casas em Santa Felicidade, a adolescente Priscila dos Reis, de 18 anos, não se interessa mais por brincar na pista de skate ou correr pelas áreas verdes do complexo. “Mas isso não significa que não goste mais daqui. Meus amigos são os meus vizinhos e, hoje, fazemos uma porção de outras coisas, ainda no espaço do condomínio”, reforça.
De acordo com William Max Ribeiro, gerente regional da construtora Plaenge, muitos condomínios oferecem atrações focadas no público jovem. “Cinema, salão de jogos e o garage band/lounge são alguns exemplos”, ressalta.
Para curtir atrações como essas, Priscila divide a casa com seus três irmãos: Vitor, de 16 anos, Paula, 15, e Nathália, 10. A mãe, Ana Lídia dos Reis, gosta que os filhos aproveitem tudo o que o condomínio oferece, mas diz que o fato de eles não serem mais crianças, não implica desatenção total. “Deixo-os livres, mas é uma liberdade vigiada”, define. Sobre os cuidados, Priscila diz não se incomodar. “Prefiro ter a minha família e meus amigos próximos a mim.”
Psicóloga recomenda experiências em espaços e realidades diversas
A psicóloga Maria Augusta de Mendonça Guimarães, coordenadora do núcleo de estudos da adolescência da Associação Serpiá, alerta para a importância da vida além dos limites de ambientes controlados. Segundo ela, essa vivência fora dos condomínios é importante para que as crianças conheçam outras pessoas e realidades. “Por isso, deve-se ter cautela para não restringir o convívio dos filhos à área do condomínio. O ideal é trazer para o seu cotidiano outras atividades e espaços, como parques.”
A seguir, orientações de Cinthia Tissot, psicóloga clinica, e Maria Augusta de Mendonça Guimarães, professora da Facel, para promover o desenvolvimento saudável dos filhos em condomínios fechados:
- Sugira outros meios de socialização para a criança, como a prática de natação, o balé e a participação em cursos diversos, que sejam ofertados além dos muros do condomínio.
- Não tenha uma postura superprotetora. A criança precisa lidar com as frustrações, para crescer confiante e independente.
- Evite passar muitas horas dentro de casa ou investir tempo demais nos recursos tecnológicos. Essa postura tende a “confinar” famílias em seus próprios computadores e não favorece a integração pessoal.
- Estimule e participe de brincadeiras interativas e ao ar livre, que estimulem o desenvolvimento integral da criança. A prática de esportes coletivos é sempre uma boa escolha.
Confira algumas dicas de Luiz Fernando Gottschilt, presidente do Inpespar; e Silmara Ciola Medeiros, síndica há 21 anos de 15 condomínios fechados, para manter a harmonia no dia a dia com os vizinhos:
- Respeite a lei do silêncio. Para quaisquer ruídos, com exceção de emergências, ela vai das 8 às 22 horas.
- Tenha cuidado redobrado nas áreas comuns, para não comprometer o patrimônio que é de todos.
- Esteja em dia com o pagamento das mensalidades, para a manutenção dos serviços oferecidos.
- Atenção ao destino do lixo e dos resíduos dos pets: separar e recolher é responsabilidade de cada dono.
- Evite acidentes e tenha cautela nas ruas em que circulam carros. As crianças costumam transitar livremente por todas as áreas do condomínio.
- Na hora de estacionar, seja preciso para não obstruir a o fluxo dos outros carros nem ocupar a área do vizinho.
Fonte: Gazeta do Povo
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